A manhã seguinte ao parto, em que nasceram um bebe, uma mamãe e um papai.
Desde que o Guguto nasceu, eu queria muito escrever sobre o meu parto. Para que eu tivesse a lembranca dos meus sentimentos naquele momento em que eu também nasci, mais uma vez, e para que o Gu, no futuro, também pudesse entender minhas opcoes e saber que tomei minhas decisoes por amor a ele e que ele busque isso também, essa sensacao de unidade com a futura companheira dele.
Augusto nasceu de parto normal, sem anestesia. Quando engravidei nao tinha muito em mente como seriam as coisas quanto ao parto, só sabia que queria normal. Mas nao tinha pensado sobre o assunto com atencao! Conforme o tempo foi passando e eu comecei a ler absolutamente tudo que dizia respeito aos estágios da minha gravidez, relatos de parto foram surgindo a minha frente e me deparei com muitos relatos de parto natural.
Quanto mais eu lia aqueles relatos mais eu ia achando uma coisa muito perigosa, pois a maioria dos relatos de parto natural que se encontra na internet sao de partos domciliares e eu achando aquilo uma loucura das mulheres que se submetiam aquilo.
Mas o tempo foi passando e uma amiga queridíssima, a Cibele, mae das lindíssimas Mariele e Clarice, que estava em sua segunda gestacao, 1 mes e meio a minha frente, estava lá, em meio a sua enorme vontade de ter um parto natural. Comecamos a conversar e eu relutava muito com tudo aquilo na minha cabeca, até que uma hora tudo comecou a fazer muito sentido, afinal, Deus nos colocou no mundo, mulheres, femeas, com o dom de parir e até pouco tempo sem precisar de médicos e procedimentos. Pronto, veio a vontade incontrolável de fazer do nascimento do meu filho um momento natural.
Comecei a pensar no parto domiciliar, para que tudo fosse mais acolhedor e conhecido pra mim, mas o Cesar nao concordou em hipótese alguma. Eu entendi a posicao dele, afinal é muito difícil pensarmos que quem amamos corre perigo, perigo de haver uma emergencia para um de nós e nao termos socorro a tempo. E foi bom assim, eu era marinheira de primeira viagem e nao estava sendo acompanhada por um médico que fosse naturalista, o que torna as coisas muito mais complicadas quanto ao amadurecimento das idéias e a seguranca quanto aquela decisao.
Mas de uma coisa eu nao queria abrir mao, do meu parto normal. E nao queria nada que pudesse dificultar que ele o fosse, logo, nao queria anestesia, nem ocitocina. Mas chegando perto dos dias previstos para o parto, eis que surge o meu maior sabotador, a sensacao de que eu nao darei conta, a ansiedade. Todos os grandes acontecimentos da minha vida sao marcados por esse gelo na espinha que me alcanca ao cair da noite e só vai embora quando o dia aparece. E toda noite vinha milhoes de medos do parto normal.
Até que na última consulta pré-natal, com um medo bem descabido que criei de que se ele nascesse na semana de natal a nossa estada no horspital poderia ser ruim, enfim, arranjei uma muleta pra desistir. E fui a médica para marcar a data da cesárea. Queria marcar pra logo, já estava muito nervosa, ansiosa e cheia de medos, principalmente de esperar e perder o bebe tao amado e desejado. E o parto foi marcado para a noite do dia 17/12/2010, uma sexta-feira.
Entre decepcao comigo mesma e alívio, fui terminar de organizar as coisas no trabalho e em casa pra chegada do Guguto. E coloquei na minha cabeca naquelas duas últimas semanas que o parto normal estava descartado mesmo, e que a coisa mais difícil pra uma mulher é ter o parto normal e entao por que eu haveria de ter merecimento pra tanto.
Na semana do parto estava bastante emotiva com a idéia de ter o Guguto nos meus bracos. Meus pais chegariam na quarta-feira pela manha, entao decidi marcar o início da licenca para o mesmo dia, para que eu pudesse passar uns 3 dias como filha, somente filha.
Na quarta-feira cedinho fomos buscar meus pais no aeroporto, e quando o relógio do carro marcavam exatamente 8 horas da manha, comecei a ter umas contracoes bem fraquinhas, mas que iam e voltavam. Sem medir o tempo e sem sentir dor, eu levei o dia naturalmente, achando que era o cansaco do corpor e, incrivelmente para quem me conhece, uma tranquilidade delícia tomou conta de mim. Falei com a minha irma por telefone que comecei a sentir contracoes, mas que nao eram nada demais e ela bateu o pé que eu estava em trabalho de parto.
Meus pais chegaram fomos pra casa, o Cesar foi trabalhar, tomamos café na padaria da esquina, minha mae fez o almoco e as contracoes foram ficando mais forte. Minha mae pedia para que eu descansasse a todo momento e eu só queria ficar em pé ali na cozinha conversando, por uns momentos eu sentei no sofá, depois deitei, mas fiquei bem, e as contracoes se intensificando tao lentamente que eu nao percebi que estava em trabalho de parto. Quando as 16 horas minha mae resolveu contar de quanto em quanto tempo vinham as contracoes, elas já estavam de 7 em 7 minutos, quando ela pediu que eu ligasse para a médica.
Quando eu falei com a Dra. ela me pediu que fosse a um hospital onde ela estava para que me examinasse, tomei um banho coloquei, um vestido, peguei aquele monte de bolsas e fomos de taxi para o hospital, a essa altura eu comecei a perceber o que estava para acontecer e fiquei feliz, mas com medo de que a Dra. dissesse que eu nao tinha dilatacao e que o bebe estava em sofrimento e que eu precisaria de uma cesárea, porque a essa altura, eu comecei a pensar que tudo aquilo era um sinal de Deus me dizendo que eu era merecedora de ter meu filho de parto normal.
O Cesar estava a caminho quando a Dra. me chamou para o exame, mas como estava em um hospital público, ninguém podia entrar comigo. Fiquei ansiosa e minha pressao subiu um pouquinho, mas a Dra, falou que era só ansiedade, nada demais. Com aquele jeito super prático dela, com o qual eu me identifico muito, fui para o exame e ela me disse que eu já estava com 4 para 5 cms de dilatacao e eu fiquei muitíssimo feliz. Ela estourou a bolsa pra que tudo ocorresse mais rapidamente. Hoje, se eu tivesse tido tempo para pensar, nao iria querer que a bolsa fosse estourada para esse fim, mas sao coisas que só uma experiencia fazem com que nós estabelecamos uma opiniao.
Fomos para o Hospital Santa Luzia, onde pretendíamos realizar o parto, e lá aguardaríamos nossa médica após o término do seu plantao. Quando cheguei lá, meia hora depois, a dilatacao já estava em 7 cms... mas nao tinha vaga para que eu pudesse ser internada. A Dra. chegou bem no momento em que estávamos insistindo pela internacao e ela tentou, argumentou, quase brigou, mas nao nos aceitaram lá.
Decidimos deixar meu pais lá na sala de espera e seguir a pé para o Santa Lúcia, tentar uma vaga lá, antes de falar com eles para que nao ficassem nervosos com a situacao.
Eu amo chuva e frio. Queria muito que meu filho nascesse em um dia assim, e enquanto andávamos e parávamos quando vinham as contracoes, eu olhava aquele dia nublado, com aquele chuvisco nos molhando e eu fui ficando cada vez mais consciente sobre o que estava para acontecer. Chegando no Santa Lúcia, só duas vagas e a Dra. se adiantou e exigiu uma vaga porque eu estava em trabalho de parto avancado.
O Cesar ficou lá embaixo concluindo a internacao, avisou aos meus pais, colocou as bolsas no quarto, acomodou-os lá e subiu para a sala de parto.
Enquanto isso, eu subi com a Dra. e ela foi se trocar, enquanto uma enfermeira trocava minha roupa pelo camisolao. Todas as enfermeiras estavam atendendo outros partos e havia uma auxiliar de limpeza lá no quarto, vendo meu nervosismo, ela, super gracinha, se ofereceu pra ficar comigo no quarto até que chegasse alguém. E foi conversando, contando da correria do hospital e foi me acalmando, pena que nao sei seu nome, mas foi muito querida.
Até que a Dra. chegou devidamente equipada, foi preparar as coisas, e pediu que uma enfermeira me aplicasse a ocitocina para adiantar o trabalho de parto, mais uma coisa que eu nao iria querer se fosse hoje, porque, a partir da aplicacao da ocotocina, a contracao nao tem mais pausa, o corpo perde o ritmo, e vc se perde quanto aos sinais dele, foi aí que eu fiquei nervosa e o parto nao foi sentido como eu queria, mais uma vez, vai para a galeria Da Próxima Vez Faco Isso Diferente.
Ela pediu que eu continuasse andando pela quarto para ajudar o bebe a descer e quando vinham as contracoes eu me apoiava na parede, até que o Cesar chegou e eu passei a me apoiar nele a cada contracao. Foi muito bom, bonito e emocionante, eu ali, com o homem que eu amo, sendo amparada por ele para a chegada do nosso filho, foi bem emocionante e lembro que eu chorei, nao lembro se ele chorou também, porque foi o momento em que a ocitocina comecou a fazer efeito e as coisas comecaram a ficar um pouco nubladas.
Quando a dor comecou a ficar insuportavel, eu pedi para deitar na cama por como é uma contracao em cima da outra, o auto controle comeca a ficar prejudicado. Quando a Dra. me examinou de novo, falou que eu já podia comecar a fazer forca e lá fomos nós, acho que fiz umas 15 sessoes de forca, entao com o apoio do meu marido maravilhoso, que foi a doula perfeita para aquele momento, me empurrando para a frente, um pouco de forca de uma enfermeira sobre a minha barriga, e uma episiotomia feita pela Dra., Guguto nasceu! Eu soltei um suspiro enorme de alívio que fez com que o Cesar entendesse imediatamente que nosso filho havia nascido. Ele pegou a camera e filmou ele sendo tirado debaixo do lencol que cobria minhas pernas e conseguiu filmar os primeiros 30 minutos do nosso filho nessa vida. Eu me emocionei muito, chorei muito de emocao junto ao Cesar e recebi meu filho direto do meu ventre para o meu colo, que sensacao linda, para não esquecer nunca, em mil vidas. Tiraram ele do meu colo algumas vezes enquanto a Dra. terminava a sutura e outros procedimentos, mas devolveram logo em seguida, o pediatra que estava na sala era de parto humanizado e manteve meu filho nos meus bracos o maior tempo possível. Ele nao precisou de berco aquecido, nem de ficar em observacao. A única observacao que ele teve foi a nossa, que nao tiramos os olhos dele por pelo menos 4 dias inteiros, tamanha fascinacao. Augusto nasceu com 51 cms, 3,140 quilos e um pulmão forte! Se esgoelava... só se acalmou quando foi posto no meu colo e eu comecei a conversar com ele fazer carinho, então ele abriu aqueles olhões amendoados como os do pai, curioso, olhando ao redor. Quando acabaram os meus procedimentos, ele foi levado a outra sala para ser pesado, medido, usar o colírio de nitrato e tomar a injecão de vitamina, tudo praxe nos hospitais. O Cesar o acompanhou e eu aguardei no corredor até que tudo acabasse e eu pudesse ir ao meu quarto.
Quando o Cesar voltou para perto de mim, trazendo nosso pequeno nos bracos, o Guguto chorava e chorava. Então, o pediatra que acompanhou o nascimento dele veio ao nosso encontro, pediu licenca e pos ele no meu peito para mamar. Ele abocanhou o peito numa fome só e não parou mais de mamar, até hoje, aos 11 meses e meio.
Quando fomos para o quarto, minha mãe estava nervosa com medo que eu estivesse sofrendo tudo que ela sofreu no meu parto e no da minha irmã. Eles não acreditaram quando nos viram, tão rápido, apenas 3 horas depois de termos ido para a sala de parto. Ficaram muito felizes, paparicaram muito o netinho, o primeiro, tanto deles, quanto dos pais do Cesar. Passamos mais algum tempo juntos, o Cesar foi deixá-los em casa, depois voltou para passar a noite comigo e com nosso filho amado. E passamos algumas noites nos revezando em olhar ele por toda a noite. E até hoje a gente se emociona muito com tudo o que passamos, o que nos fortaleceu muito, nos amamos mais, nos admiramos mais, pois temos uma riqueza imensa que construímos juntos: o Augusto.

Tenho certeeeeza que vc chorou e chorou ao redigir esse relato. E o tempo passa... e o tempo voa... e a emoção fica pra sempre. Muita saúde pra vcs.
ResponderExcluirObrigada, Cibele! Fica mesmo! Muita emocão e até saudade daquele momento de ver a carinha deles... ai, ai... e vc sabe disso duas vezes!
ResponderExcluirBeijo e muitas felicidades pra essa família linda!